eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics https://elyra.org/index.php/elyra <h4><em>eLyra</em> é publicada pela rede de investigação internacional <a title="lyracompoetics" href="https://ilcml.com/lyracompoetics/" target="_blank" rel="noopener">LyraCompoetics</a>.</h4> <p>Privilegiando instrumentos teóricos comparatistas e valorizando perspectivas interartísticas, <em>eLyra</em> pretende contribuir para o conhecimento da poesia moderna e contemporânea, promovendo a sua leitura crítica no contexto de problemáticas de âmbito transnacional.</p> <p>Concebida como um espaço de confronto de ideias,<em> eLyra</em> divulga o trabalho desenvolvido no âmbito da rede LyraCompoetics e acolhe contribuições de outros investigadores interessados em pensar hoje a poesia, a arte e a cultura.</p> Rede Internacional Lyracompoetics pt-PT eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics 2182-8954 Os híbridos cantam: a constituição do pensamento moderno, a poética Marubo e os estudos de poesia https://elyra.org/index.php/elyra/article/view/394 <p>O artigo discute possibilidades abertas aos estudos de poesia a partir de poéticas ameríndias, voltando-se, em específico, às contribuições do antropólogo e tradutor Pedro Cesarino (2013), em “Quando a Terra deixou de falar”, antologia de cantos míticos da etnia amazônica Marubo. Tendo este objetivo em vista, é recuperada a discussão de Bruno Latour (2013) sobre a Constituição do pensamento moderno e suas garantias, para, em seguida, promover uma reflexão sobre como a poesia moderna, e precisamente a sua crítica, não escapa a este paradigma – pelo contrário, nele se inscreve. Para tanto, é trazido à tona o embate entre Berardinelli (2007) e Friedrich (1978) em torno da imanência e transcendência da poesia lírica, e da postura acusatória que dá dinâmica ao pensamento moderno. Feito isto, o texto retoma a poética Marubo e o ato tradutório de Cesarino (2008; 2013), como maneira de evidenciar uma poética vinda de outra cosmovisão, em tudo distinta a nossa, mas, sobretudo, para discutir como o olhar para esta poética pode nos fazer repensar paradigmas que formulam a epistemologia moderna e, por extensão, os pilares hegemônicos da crítica acerca da poesia.</p> Fernanda Vivacqua Boarin Direitos de Autor (c) 2021 eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics 2021-07-21 2021-07-21 17 257 270 10.21747/2182-8954/ely17a16 Entre a perda e a queda poética: "Desterro", de Camila Assad, ou como construir colectividade a partir de uma 'escrita por apropriação' https://elyra.org/index.php/elyra/article/view/393 <p>O presente artigo tem como objeto de análise o livro de poemas <em>Desterro</em> de Camila Assad, publicado em 2019 pela Editora Macondo. A leitura proposta parte da polissemia do título para examinar os três eixos que se sobrepõem na obra: cidade, mulher e poema. Em primeiro lugar, examinamos a incorporação de elementos visuais, espaciais e traços de oralidade, para aprofundar em um tipo de escrita que pretende construir poemas, ao mesmo tempo que cidades, a partir de uma perspectiva feminina. Em seguida, concentramos nossa análise nas técnicas de escrita utilizadas pela autora: argumentamos que, através dos vários processos apropriação e transcrita, a poeta organiza novas coletividades e reivindica seu lugar, como também o de suas predecessoras, tanto no campo literário como no espaço público. Obra indisciplinada, ousada e lúdica, <em>Desterro</em> apresenta um périplo literário em que, despois da perda e da queda, a voz poética sai reforçada e ganha um corpo social através da assimilação (explícita) de leituras e escutas.</p> Isaac Giménez Direitos de Autor (c) 2021 eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics 2021-07-21 2021-07-21 17 239 256 10.21747/2182-8954/ely17a15 "Bordar é um verbo destinatário": o gesto e o avesso do poema https://elyra.org/index.php/elyra/article/view/392 <p>A partir de reflexões que têm aflorado na crítica contemporânea, elaborando transformações e questionamentos dos sentidos e dos limites da noção tradicional de literatura, pretende-se atuar, mapeando, na produção brasileira do presente, outros espaços de criação e inserção da literatura, as emergências de novas textualidades, da poesia em particular, e seu desdobramento enquanto poesia fora de si. A atenção ao gesto, e ao seu avesso, também nos levam a pensar como os circuitos da poesia, hoje, encontram-se atravessados por outras formas manuais, como é o caso dos bordados e das instalações, que, de forma cada vez mais latente, vêm incorporando a palavra escrita: do manto de Arthur Bispo do Rosário, passando pelos<em> voiles</em> de José Leonilson, até as flâmulas de Julia Panadés. A trajetória, aqui, também não é linear e muito menos acabada: a constelação parte daquilo que leram, da forma que incorporaram aos seus trabalhos suas leituras, e como são lidos, no gesto sem fim de Penélope, ao performar, de dia, a costura da mortalha, para, à noite, desfazê-la, deixando-nos a tarefa árdua e contínua da escrita e da leitura, sucessiva e infinitamente.</p> Marina Baltazar Mattos Gustavo Silveira Ribeiro Direitos de Autor (c) 2021 eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics 2021-07-21 2021-07-21 17 225 237 10.21747/2182-8954/ely17a14 Estrelas de Letras. Teatralidades do poema no Brasil pós-1970 https://elyra.org/index.php/elyra/article/view/391 <p>Por meio da leitura de poemas de Paulo Leminski, Ana Cristina Cesar e Veronica Stigger, o ensaio aborda uma noção do <em>teatro</em> da poesia apta a iluminar um estatuto paradoxal e múltiplo do espaço do poema, visto pelos olhos da produção brasileira a partir da década de 1970. Para tanto, explora alguns agenciamentos contemporâneos de um campo teórico e prático <em>antiteatral</em> oriundo de contextos modernos, onde poesia, teatro e artes visuais convergem em encenações plurais do problema da <em>especificidade</em>.</p> André Goldfeder Direitos de Autor (c) 2021 eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics 2021-07-21 2021-07-21 17 199 223 10.21747/2182-8954/ely17a13 Os poemobjetos de Roberta Camila Salgado: criação e materialidade https://elyra.org/index.php/elyra/article/view/390 <p>O artigo analisa a produção poética de Roberta Camila Salgado, que, entre 1964-1965, compôs os poemobjetos que viriam a integrar a instalação ambiental <em>Tropicália</em>, de Hélio Oiticica, exibida em 1967 na célebre exposição “Nova Objetividade Brasileira”. Relacionando a escrita poética com materiais como cerâmicas de telhado, blocos de tijolo, isopor e placas de madeira, a poeta torna tais materiais industrializados intrínsecos ao poema. O poemobjeto apresenta-se como uma conexão direta com o ambiente circundante; a poesia transforma-se em matéria aparentemente sem centralidade na atenção do leitor-participante, que passa a experienciá-lo como descoberta inesperada. Em suma, o presente artigo pretende examinar como a materialidade dos poemobjetos de Roberta Camila Salgado se situa dentro da esfera de produção poética brasileira.</p> André Masseno Direitos de Autor (c) 2021 eLyra: Revista da Rede Internacional Lyracompoetics 2021-07-21 2021-07-21 17 179 198 10.21747/2182-8954/ely17a12