eLyra é publicada pela rede de investigação internacional LyraCompoetics.

Privilegiando instrumentos teóricos comparatistas e valorizando perspectivas interartísticas, eLyra pretende contribuir para o conhecimento da poesia moderna e contemporânea, promovendo a sua leitura crítica no contexto de problemáticas de âmbito transnacional.

Concebida como um espaço de confronto de ideias, eLyra divulga o trabalho desenvolvido no âmbito da rede LyraCompoetics e acolhe contribuições de outros investigadores interessados em pensar hoje a poesia, a arte e a cultura.

Número Actual

n. 15 (2020): Poéticas Contemporâneas do Génio não Original

 

orgs: Joana Matos Frias
           Pablo Simpson
           Sofia de Sousa Silva


DOI: 10.21747/21828954/ely15
Junho 2020

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eLyra#15 (Junho 2020): POÉTICAS CONTEMPORÂNEAS DO GÉNIO NÃO ORIGINAL

2020-01-13


Diversos pensadores têm apontado como uma das características mais prepon-derantes das práticas artísticas da pós-modernidade – ou do pós-modernismo – a tendência para uma certa recusa dos pressupostos de originalidade, de criação individual e de propriedade autoral que em grande medida estiveram subjacentes ao processo histórico de construção da Modernidade, sobretudo a partir do Romantismo e de seu programa literário, conforme indicado, entre tantos autores, por M. H. Abrams em The Mirror and the Lamp: Romantic Theory and the Critical Tradition, cuja hipótese geral assinala a passagem de uma teoria mimética da representação enquanto espelho reflector de acções, para, no Romantismo, uma teoria expressiva da arte: da arte como exercício da fantasia do sujeito.

Em certa medida, à narrativa reconstituída por Abrams à entrada da segunda metade do século XX poderia dar-se uma continuidade fundada num novo elemento simbólico, a tela ou ecrã, quer considerando a sua significação propriamente interartística (a que subjazem as relações exogâmicas da literatura com os domínios das artes visuais, em particular com o tão modernista cinema), quer admitindo o seu valor sociocultural de dispositivo, responsável pelo agenciamento de vários tipos de lógicas hipertextuais e hipermediais, tão em voga na contemporaneidade. Quer dizer que, nesta perspectiva, o ecrã/ a tela poderão ser entrevistos como os grandes protagonistas daquele cultural turn que Fredric Jameson diagnosticou como definidor da emergência da pós-modernidade, ao mesmo tempo que representam a passagem de uma concepção do acto artístico assente no poder demiúrgico do próprio criador – “pequeño dios”, na inesquecível síntese de Vicente Huidobro – para uma concepção que visa evidenciar a força inexorável dos próprios meios e dos suportes materiais da expressão.

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