O autorretrato submerso nas dunas em 'Finisterra'
DOI:
https://doi.org/10.21747/21828954/ely27a5Resumo
Carlos de Oliveira fez da Gândara o seu universo literário, escrevendo-a, descrevendo-a e repovoando-a incessantemente em sua obra. Nesse trabalho caligráfico de Oliveira, percebe-se uma tentativa de inscrição biográfica do autor, como tentativa de suplantar o complexo do iceberg a que grande parte dos escritores marginalizados pelo salazarismo estavam subjugados. Como o gráfico da voz da mãe de Finisterra, a escrita de Oliveira parece fazer de sua própria história um contorno das dunas gandaresas. Partindo das concepções de Jacques Derrida sobre a ruína como autorretrato, e dando sequência à ideia de Rosa Martelo do “autorretrato na paisagem precária” em Carlos de Oliveira, este ensaio pretende realizar uma análise da obra deste grande escritor português, com ênfase em O Aprendiz de Feiticeiro (1971) e em seu último livro, Finisterra – paisagem e povoamento (1978). Em um primeiro momento, pretende-se discutir brevemente as definições de autorretrato e autobiografia em Jacques Derrida e Paul de Man. Posteriormente, recorrendo aos conceitos de reflexão e fragmento de Walter Benjamin, procurar-se-á aplicar essas ideias às obras de Oliveira, associando o trabalho incessante de representação da Gândara, sob a perseguição política do regime salazarista, a uma tentativa de autorrepresentação e resistência através da ruína da paisagem de sua infância.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Thalles Candal

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.
